terça-feira, 1 de agosto de 2017

Angela Davis, 71, vêm à Bahia, e sua sexta visita ao Brasil.




Esta é a quarta vez que a professora, ativista e filósofa Angela Davis, 71, vêm à Bahia, e sua sexta visita ao Brasil. "Talvez por isso seja uma vergonha eu não ter aprendido a falar português ainda", brincou, em coletiva de imprensa nesta terça-feira (25), na reitoria da UFBA (Universidade Federal da Bahia). "Tenho certeza que quando eu aprender, vou descobrir muitas outras coisas positivas", concluiu.
Davis, além de reiterar o carinho que tem pelo Brasil e por pensadoras brasileiras como Lélia Gonzalez, afirmou que as universidades brasileiras têm muito a ensinar para as norte-americanas, em termos de colocar em prática as ações afirmativas de combate ao racismo como, por exemplo, as cotas raciais; e destacou a importância de um pensamento abolicionista do que ela batiza de "sistema industrial carcerário", tema que permeia seus estudos desde 1970:
"Se partirmos do pressuposto que o que devemos fazer é simplesmente encarcerar essas pessoas para, então, eliminar a violência de gênero, na verdade, estamos colaborando ativamente na continuidade da reprodução da violência que estamos tentando erradicar".
Segundo dados do Infopen, a população carcerária brasileira é composta por 94% de homens, mais da metade (55,07%) tem até 29 anos de idade e, ainda, 61,67% é de negros ou pardos, com baixa ou nenhuma escolaridade. 40% do total (quase 250 mil) é de presos provisórios, ou seja, pessoas que se encontram cerceadas em sua liberdade sem terem sido julgadas.
Grande crítica do sistema judicial no mundo, Davis, ao longo dos anos, tem realizado discussões e estudos sobre o chamado "abolicionismo penal", por entender que existe uma relação entre encarceramento em massa e escravidão que, na verdade, reforça um "instrumento de perpetuação da violência", e não o combate a ela.
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"Uma pergunta a ser feita pode ser: o quão transformador é o ato de simplesmente mandar um homem que cometeu violência contra mulher para uma instituição que simplesmente reforça e produz ainda mais violência? Ou será que simplesmente essa retribuição vingativa, seria suficiente? Ou nós estamos realmente comprometidos a purgar a sociedade deste tipo de violência?", questiona.
Ainda segundo o relatório brasileiro, a população prisional brasileira no Sistema Penitenciário em 2014 era 579.781 pessoas, levando em consideração as prisões estaduais e federais. Desse total, 37.380 são mulheres e 542.401, homens. Entre as mulheres, cerca de 50% têm de 18 a 29 anos. A maioria, duas em cada três presas, é negra.
Os dados do Infopen também mostram que, em números absolutos, o Brasil está em quinto lugar na lista dos 20 países com maior população prisional feminina do mundo, atrás dos Estados Unidos (205.400 detentas), da China (103.766) Rússia (53.304) e Tailândia (44.751).
Davis expõe que é igualmente importante se pensar o assunto entrelaçando gênero, raça e classe "dentro e fora dos Estados Unidos", e pontua:
"Podemos argumentar que, no que diz respeito à punição, o Estado é o agente punitivo para os homens. Mas formas de punição que são consideradas privadas -- que nos referimos a elas como violência doméstica -- afeta muito mais mulheres do que os homens [...]. Isso também nos indica que simplesmente aprisionar homens não acaba com a violência contra as mulheres. Provavelmente só terá o efeito de exacerbar essa violência."
A visita ao Brasil
Desde os anos 1980 Angela Davis faz constantes visitas ao Brasil. "As pessoas me perguntam: 'Você já esteve no Rio?' Não. 'Você já esteve em São Paulo?' Não. Mas estive em Salvador e de novo e de novo", disse, ao iniciar conferência na UFBA. Desta vez, a vinda da ativista, que é referência mundial no enfrentamento antirracista e do pensamento crítico feminista, fez parte do evento "Julho das Pretas", organizado por coletivos feministas baianos, que promoveu ações durante todo o mês.
Para marcar o dia 25 de Julho, Dia Internacional da Mulher Afro-Latina e Caribenha, a filósofa e ex-presa política ministrou a conferência "Atravessando o tempo e construindo o futuro da luta contra o racismo". Com mais de 400 alunos e convidados, o salão nobre da reitoria da UFBA atingiu sua capacidade máxima.
O grupo de poesia "Slam das Minas" deu início ao evento e, em seguida, ao lado de lideranças do movimento negro do Brasil e autoridades acadêmicas da Bahia, Davis citou a luta das mulheres negras no Brasil e destacou que as norte-americanas têm muito a aprender com "a movimentação que está acontecendo por aqui", especialmente sobre luta por direitos e reconhecimento de violências:
"Quando a mulher negra se movimenta, toda a estrutura da sociedade se movimenta com ela, porque tudo é desestabilizado a partir da base da pirâmide social onde se encontram as mulheres negras, muda-se a base do capitalismo".
A conferência foi transmitida ao vivo, pelo canal estudantil TVE. Assista abaixo:
Na década de 70, Angela Davis integrou um braço do grupo Panteras Negras nos Estados Unidos e foi membro do Partido Comunista. Ela foi presa e ficou mundialmente conhecida pela mobilização da campanha "Libertem Angela Davis", que deu nome a um documentário, dirigido por Shola Lynch. Atualmente, ela é professora emérita do departamento de estudos feministas da Universidade da Califórnia e desenvolve trabalho intenso sobre a questão prisional nos Estados Unidos.
Leia trechos da entrevista coletiva:
Arte x Política
"Como alguém que já esteve envolvido em diversos tipos de ativismos durante décadas, minha percepção é que nós estamos encorajando as novas gerações a utilizar a arte de outra maneira. E qualquer movimento que tenha expectativa de provocar uma mudança duradoura deveria reconhecer a importância da comunicação entre diferentes gerações. Certamente as novas gerações tem muito a aprender com o conhecimento acumulado e a experiência de gerações anteriores e, parece que, ainda mais importante é o fato de que as gerações mais velhas tem muito a aprender com as gerações mais jovens. E, como eu tenho aprendido e visto, esta é a geração que não tem medo. É a juventude que ousa buscar o novo, que utilizar essa imaginação de tal maneira que possamos trilhar caminhos ainda não trilhados."
O papel da universidade
"Se você me pergunta qual deveria ser o papel da universidade, eu diria que deveria ser exatamente nutrir ou apoiar quem faz a universidade acontecer. E isso levará à liberdade e à justiça para todos nós. Mas vocês sabem que as universidades, geralmente, estão frequentemente associadas às elites e, portanto, tornam-se também uma arena para um espaço de disputa e para a luta contra o racismo -- e também uma luta em prol de modos de produção de estudos que nos levem a reconhecer a conexão entre o conhecimento e a liberdade. Mas eu devo dizer que estou muito impressionada com o sistema de educacional brasileiro, do que o norte americano. Visto que temos discutido ações afirmativas durante décadas, com um impacto muito diminuto. E eu me lembro quando começaram os debates em torno de ações afirmativas aqui na Bahia. E hoje, eu vejo consequências concretas. A Universidade Federal do Recôncavo Bahiano nos proporciona uma evidência concreta de que é possível garantir acesso à educação formal para a população que historicamente foi excluida. Isso não significa que os problemas formam resolvidos. Mas eu posso dizer que podemos aprender, nos Estados Unidos, com os exemplos brasileiros e o que é possível alcançar com essas medidas".
O sistema carcerário industrial
"Como alguém que trabalhou contra esse sistema durante a maior parte de minha vida, de minha trajetória, eu, juntamente com outras pessoas que estão engajadas nessa luta comigo, percebi que este tipo de punição que está associada ao encarceramento, ao aprisionamento, tem mantido ligações muito óbvias com os sistemas de escravização. Essa relação entre o sistema carcerário e a escravidão não é só uma questão de estabelecer analogias. Mas é uma questão de genealogia. Isso não parte do pressuposto daqueles que argumentam que este sistema escravocrata deveria ser mantido como instituição, que deveria ser transformado em uma instituição 'mais humanizada'. Isso não faz nenhum sentido. Então, nós dizemos que, lutar pela reforma do sistema carcerário é uma forma de manter o racismo e a repressão do encarceramento, do aprisionamento. E, portanto, a abolição é a estratégia que abraçamos. Mas a abolição nos exige a fazer perguntas não somente sobre o sistema de punição, mas também como a sociedade constitui esse sistema de punição. Esse sistema é voltado e tem o objetivo de manter o sistema a partir do qual ele emerge. E essa noção de abolição visa reformar essa sociedade para que não haja mais a necessidade de dar atenção a medidas de repressão. A abolição do sistema carcerário nos convida a pensar a construir uma sociedade onde não haja racismo, sem estruturas heteropatriarcais, sem estruturas capitalistas, onde há educação livre e acesso gratuito ao sistema de saúde. E isso é uma mensagem diretamente colocada para pessoas que se encontram no poder nos Estados Unidos. Portanto, é uma luta para transformar a sociedade. De maneira sucinta, é uma luta abraçada pelo socialismo".
O encarceramento e as mulheres negras
"É muito importante e necessário pensarmos sobre as circunstâncias dentro do sistema carcerário feminino em uma perspectiva global. Geralmente, é visto que o problema do encarceramento em massa é uma questão referente ao homens. Porque, sim, os homens constituem a vasta maioria daqueles que se encontram encarcerados mundo afora. E isso certamente é verdade. Mas não significa que não podemos adquirir bastante conhecimento sobre esse sistema, se observamos especificamente as circunstâncias que envolvem o sistema carcerário feminino -- e as mulheres inseridas nele. Abordagens feministas naquilo que chamamos de sistema carcerário industrial, nos leva a investigar tanto por meio de pesquisas acadêmicas, como por meio do ativismo radical que, sim, há uma conexão entre a violência institucional, por um lado, e a violência individual (ou aquela que acontece em relações íntimas)."
Então, você vê, começamos, a princípio, falando de uma parcela apenas do sistema carcerário. Mas desenvolvemos, a partir daí, percepções mais amplas e significativas dentro desse sistema.
"Podemos argumentar que, no que diz respeito à punição, o Estado é o agente punitivo para os homens. Mas formas de punição que são consideradas privadas -- que nos referimos a elas como violência doméstica -- afeta muito mais mulheres do que os homens. E, então, isso nos auxilia a refletir sobre o sistema carcerário. Muitas mulheres apontam para o fato de que, desse mundo dos "livres", elas têm vivenciado a violência sexual também. Quando apenas visitam a prisão, elas são submetidas a revistas constrangedoras e invasivas como revistas vaginais e no reto. Isso também constitui violência sexual. Isso também nos indica que simplesmente aprisionar homens não acaba com a violência contra as mulheres. Provavelmente só terá o efeito de exacerbar essa violência. E esse é um argumento bastante convincente em prol da abolição do sistema carcerário."
"Quando a gente olha para as condições de pessoas trans encarceradas, principalmente mulheres trans, elas são também alvos do racismo. E, assim, compreendemos o sistema carcerário mais uma vez, de maneira ampla. Observamos também como esse sistema carcerário tem uma característica de gênero. Então, você vê, começamos, a princípio, falando de uma parcela apenas do sistema carcerário. Mas desenvolvemos, a partir daí, percepções mais amplas e significativas dentro desse sistema. E não somente do sistema carcerário como um sistema de punição, mas um aparato do Estado que sustenta percepções ideológicas amplas de raça e de sexismo dentro da sociedade como um todo. E me desculpe pelo tamanho da minha resposta. Mas essa é uma conversa com a qual eu poderia falar durante horas" [risos].
Abolicionismo prisional x feminismo
"É interessante observar novamente que, quando refletimos sobre encarceramento, ou aquilo que chamamos de encarceramento em massa, nós caracterizamos isso como um problema que afeta apenas os homens. Nós falhamos ao reconhecer que além dos grandes números, existem mulheres que estão encarceradas (e eu entendo que aqui no Brasil 2/3 de mulheres que estão encarceradas são negras, eu estou correta?). Além disso, aquelas que são mais afetadas pelas políticas de encarceramento são mulheres, independente de estarem presas. Elas são casadas com esses homens. Eu sei que, nos Estados Unidos, quando vamos às salas de visitas nas prisões, você descobre um número enorme de mulheres negras. Mas, em contrapartida, as mulheres negras também tem sido protagonistas contra esse sistema que está tão saturado pelo racismo. E eu acho que vocês, que são jovens, neste momento específico da história, tem muita sorte de serem jovens. Vocês estão experimentando a emergência de uma consciência que deveria ter sido desenvolvida há muitas gerações atrás. E este é o papel que as mulheres negras sempre tiveram: lutar contra instituições de repressão e racistas. Mas, finalmente, estamos reconhecendo que as mulheres têm capacidade de exercer cargos de liderança -- e eu utilizo a palavra 'mulher' em todas as suas expressões possíveis, incluindo mulheres trans -- e que essa liberdade tem algo bastante diferenciado da liderança individual do passado, a liderança individualista carismática -- que, nos Estados Unidos, por exemplo, podemos falar de Martin Luther King e Malcom X. Mas, de forma alguma, buscamos desacreditar o papel que ambos tiveram. Afirmar isso é reconhecer que, neste momento, estamos prontas para novos modelos de liderança: formações ou modelos de lideranças feministas, não em um indivíduo, mas em coletivo. E eu estou muito feliz de poder testemunhar o desenvolvimento dessas outras formas no Brasil, nos Estados Unidos e em outras partes do mundo."
Rafael Braga e os presos políticos do mundo
"Me parece que, por ser uma pessoa que já foi prisioneira política e, reconhecendo que só estou aqui falando com vocês muitas décadas depois do que aconteceu... Eu vejo que a minha liberdade, em parte, só aconteceu, no porque as pessoas se uniram em âmbito global para exigir isso. Esses movimentos para libertar presos políticos deveriam ser continuados. Rafael Braga e outros prisioneiros políticos aqui no Brasil, em Israel, aqueles que estão aprisionados no continente europeu por estarem engajados na luta contra a islamofobia e o racismo, e também, ainda hoje ainda a existência continuada de presos políticos nos Estados Unidos, como Leonard Peltier, um prisioneiro político de descendência indígena que passou quase quarenta anos encarcerado; Mumia Abu Jamal, que é o prisioneiro politico mais conhecido nos EUA atualmente e também o caso de Assata Shakur, que continua a viver no exílio, em Cuba."
O abolicionismo x naturalização
"É claro que eu estou ciente que a população carcerária do Brasil é uma das maiores do mundo, apenas ficando atrás de Estados Unidos, China e Rússia. Mas eu também estou ciente de que, assim como no Brasil e outras partes do mundo, a luta contra a violência de gênero tem sido crucial, principalmente, dentro do âmbito dos movimentos feministas. Geralmente, pressupõe-se que, para que termos uma abordagem abolicionista, necessariamente ela seria uma forma de minimizar a gravidade da violência em um ambiente doméstico -- e é um questionamento válido porque, afinal de contas, temos lutado por muitas décadas para garantir que a violência de gênero fosse reconhecida pelo Estado --. Mas, sobre isso, uma questão é a seguinte: nós podemos mensurar a gravidade ou o valor de uma acusação, pela quantidade ou intensidade da punição? Outra pergunta a ser feita pode ser: o quão transformador é o ato de simplesmente mandar um homem que cometeu violência contra mulher para uma instituição que simplesmente reforça e produz ainda mais violência? Será que simplesmente essa retribuição vingativa, seria suficiente? Ou nós estamos realmente comprometidos a purgar a sociedade deste tipo de violências? O encarceramento nunca resolveu os problemas para os quais pressupõe-se que seriam as respostas. Não há menos roubos ou assaltos em função do encarceramento. Não há menos assassinatos porque as pessoas estão indo para a prisão. Mas um fato é: as pessoas saem da prisão ainda mais violentas do que eram quando entraram."
Se o Estado utiliza a violência policial para resolver problemas de maneira punitiva, então ele dissemina a mensagem que a violência pode ser uma solução para os problemas domésticos também.
"Então, se nós estamos realmente dedicados a expurgar a violência de gênero de nossas sociedades, nós não estaremos portando, desejosas de encontrar outras formas de cobrar essa responsabilidade? Outras formas de reduzir a violência de gênero? xxx publicou um livro sobre essa questão, que se chama A Justiça Aprisionada: A mulher negra o sistema carcerário e a justiça. Ela argumenta que nós conseguimos ganhar o âmbito mais amplo, mas que perdemos os movimentos sociais. Porque a medida que abraçamos as soluções do encarceramento com soluções para violência de gênero, é também abraçar processos que levam a uma expansão do número de encarceramentos no mundo. E dessa forma também abrimos mão do nosso dever de pensar outras formas para a erradicação da violência de gênero. Mas, na verdade, são as instituições ao nosso redor que estão tão saturadas com violência. Se o Estado utiliza a violência policial para resolver problemas de maneira punitiva, então ele dissemina a mensagem que a violência pode ser uma solução para os problemas domésticos também. O ponto é que isso é muito mais complicado do que parece ser. E, então, se pressupomos que simplesmente o que devemos fazer é encarcerar essas pessoas para eliminar a violência de gênero, na verdade, estamos colaborando ativamente na continuidade da reprodução da violência de gênero que estamos tentando erradicar."

Fonte 

Montes Claros realizou nos dias 24 e 25 IV Conferência Regional de Promoção da Igualdade Racial do Norte de Minas.




Realizada em Montes Claros a IV  Conferência Regional de Promoção da Igualdade Racial do Norte de Minas, com a participação de 34 municípios, que infelizmente teve um público pequeno os 34 municípios juntos não conseguirão levar no evento 70 pessoas olhando por este prisma a mobilização foi pífia, lembrando que em 2005 na primeira conferencia tivemos 176 pessoas presentes, e passados 3 edições ainda tem muitas proposta que não sairão do papel.
Um ponto positivo e o reconhecimento pelo município de Montes Claros da comunidade de Monte Alto como a primeira comunidade quilombola em Montes Claros, a 13 quilômetros da sede. O processo de criação dessa comunidade quilombola foi iniciado pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social e agora será montado o processo, para buscar o credenciamento na Fundação Palmares. O foco é construir uma escola na localidade, usando os recursos do programa Brasil Afrodescendente.
A Conferência teve inicio às 19 horas, no campus Darcy Ribeiro prédio 06 UNIMONTES, com a presença do secretário Nilmário Miranda, de Direitos Humanos e Cidadania.
A Conferência Regional de Promoção da Igualdade Racial do Norte de Minas ocorre no momento em que Montes Claros vivem, uma polêmica: uma pedagoga (cujo nome foi mantido em sigilo) foi presa acusada de injúria racial, ao ofender um segurança de um hospital. Ela o teria chamado de ‘macaco’ e negro, durante um atendimento. Ela chegou ao hospital com um filho adolescente passando mal. Outro filho dela, que é acadêmico de medicina, acompanhou o atendimento, quando a pedagoga também pediu para entrar alegando que o filho estava na condição de acadêmico. O segurança não deixou porque é permitida a entrada de apenas um acompanhante. A mulher ficou exaltada e chamou o segurança de macaco e negro. A mulher foi autuada em flagrante e liberada após pagar fiança de R$ 1 mil, mas vai responder pelo crime em liberdade.
A IV Conferência Regional de Promoção da Igualdade Racial do Norte de Minas tem como tema deste ano “O Brasil na Década do Afrodescendente: Montes Claros promovendo a Igualdade Racial por nenhum Direito a menos”. Abertura, dia 24, 19 horas, no auditório Mário Ribeiro da Silveira, no prédio 06 e no dia 25 iniciou as 8.30h e terminou às 17.30 com a fala da camarada Claudia Menezes Vitalino da direção nacional da UNEGRO, os grupos de trabalhos acontecerão durante todo dia, com vários temas discutidos e no final a eleição dos delegados que irão representar o norte do estado na IV conferencia estadual que irá acontecer em Belo Horizonte nos dias 25 a 27 de Agosto de 2017.
Territórios remanescentes de quilombos
O Território Remanescente de Comunidade Quilombola é uma promessa que ainda está no papel apressar da luta dos quilombolas do movimento negro brasileiro estamos correndo o risco de perder tudo que conquistamos até hoje por isto vejo como positivo a realização das conferencias municipais e regionais.
Os remanescentes de quilombo são definidos como grupos étnico-raciais que tenham também uma trajetória histórica própria, dotado de relações territoriais específicas, com presunção de ancestralidade negra relacionada com a resistência à opressão histórica sofrida, e sua caracterização deve ser dada segundo critérios de auto- atribuição atestada pelas próprias comunidades, como também adotado pela Convenção da OIT sobre Povos Indígenas e comunidades tradicionais quilombolas.
A chamada comunidade remanescente de quilombo é uma categoria social relativamente recente, representa uma força social relevante no meio rural brasileiro, dando nova tradução àquilo que era conhecido como comunidades negras rurais (mais ao centro, sul e sudeste do país) e terras de preto (mais ao norte e nordeste), que também começa a penetrar ao meio urbano, dando nova tradução a um leque variado de situações que vão desde antigas comunidades negras rurais atingidas pela expansão dos perímetros urbanos até bairros no entorno dos terreiros de candomblé.
Atualmente, há mais de 2 mil comunidades quilombolas no país, lutando pelo direito de propriedade de suas terras consagrado pela Constituição Federal desde 1988.

Hilário Bispo

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Nomes das homenageadas do troféu Rainha Nzinga 2017

Troféu Rainha Nzinhga 2017
DIA 25 DE maio no CENTRO cultural de MONTES claros -MG
Praça da Matriz 32.
às 19h
Homenageadas:
Alessandra Nzinga (Rio de Janeiro)
Amanda Pereira Souza ( Montes Claros)
Ana Cristina Duarte (Rio de Janeiro)
Ana Maria Pereira da Silva ( Montes Claros)
Ana Maria Rosa Santana (Montes Claros)
Claudia Menez Vitalino (Rio de Janeiro)
Edna Correia de Oliveira ( Jaiba)
Eliane Rosa dos Santos ( Brasília DF)

Elissandra Flávia Santos  ( Divinópolis )
Eloyá Amorim ( Montes Claros)
Eneida Albuquerque Santos ( Pará)
Enedina Santos Deiró ( Valença Ba)
Geralda Islene( Montes Claros)
Gisele Costa ( Rio de Janeiro)
Ione Oliveira ( Belo Horizonte)
Ivone Diniz (Pedro Leopoldo)

Janaelle Cristina Neri Almeida ( Manga - MG )

Luba Fee ( Niteroi Rio)
Maria Cecilia ( Montes Claros )
Maria do Carmo Pereira dos Santos (Mãe Duca - Montes Claros)
Mara Catarina Evaristo ( Belo Horizonte)
Marilene Alves – Leninha ( Montes Claros)
Margarethe Rose Alves ( Brasilia DF)

Marcia da Conceição Valadares ( Ouro Preto )
Marisa Vieira da Silva( Venda Nova)
Patricia França ( Caetite) Ba
Ronilda Azevedo Lauton ( Montes Claros)
Rosângela Silva ( Belo Horizonte)
Sandra Andrante ( Bom Despacho)MG
Sônia Aparecida dos Santos (SP)

quinta-feira, 6 de abril de 2017

25 de Maio é o dia da África

Neste dia, os líderes de 30 dos 32 Estados africanos independentes assinaram uma carta de fundação, em Addis Abeba, na Etiópia.
Em 1991, a OUA estabeleceu a Comunidade Econômica Africana, e em 2002, a OUA estabeleceu o seu próprio sucessor, a União Africana. No entanto, o nome e a data do Dia de África foram mantidos como uma celebração da unidade Africana tema do Dia de África 2012 é África e da Diáspora”.
A celebração de Nova York foi realizada em Nova York em 31 de maio de 2011. Em Nairobi, foi comemorado no Parque Uhuru Recreational Park. Também deve ser notado que o Dia da África é celebrada como um feriado público em apenas cinco países africanos, Gana, Mali, Namíbia, Zâmbia e Zimbabwe.
No entanto, as celebrações são realizadas em alguns países africanos, bem como pelos africanos na diáspora.


Introdução

A mais marcante das singularidades africanas é o fato de seus povos autóctones terem sido os progenitores de todas as populações humanas do planeta, o que faz do continente africano o berço único da espécie humana. Os dados científicos que corroboram tanto as análises do DNA mitocondrial(6) quanto os achados pelo antropológicos apontam constantemente nesse sentido.
O continente africano, palco exclusivo dos processos interligados de hominização e de organização, é o único lugar do mundo onde se encontram, em perfeita sequencia geológica, e acompanhados pelas indústrias líticas ou metalúrgicas correspondentes, todos os indícios da evolução da nossa espécie a partir dos primeiros ancestrais hominídeos. A humanidade, antiga e moderna, desenvolveu-se primeiro na África e logo, progressivamente e por levas sucessivas, foi povoando o planeta inteiro
E a imagem que temos da África é a de um continente sem história. Sabemos hoje que os povos africanos já navegavam os mares à procura da rota para as índias milênios antes das caravelas portuguesas e espanholas.

Berço das primeiras civilizações mundiais

Uma das singularidades da África decorre do fato de esse continente ter sido o precursor mundial das sociedades agro-sedentárias e dos primeiros Estados burocráticos, particularmente ao longo do rio Nilo (Egito, Kerma e Kush). Ao longo dos séculos, as riquezas destes Estados, assim como as riquezas do império de Oxum, na parte oriental do continente, e do império de Cartago, situado na porção setentrional, aguçaram a cobiça de inúmeros povos vizinhos, desde o Mediterrâneo europeu (gregos e romanos) e o Oriente Médio semita (hicsos, assírios, persas, turcos, árabes), até o sudeste asiático (indonésios)

Suas tragédias:
Mas grande parte do continente ainda sofre com os efeitos da colonização europeia. O exemplo mais gritante é o surto de ebola, que afeta países como Guiné, Serra Leoa, Libéria, Mali, Senegal e Nigéria.
Algumas comunidades de Serra Leoa já perderam mais de 10% da população, vítima do ebola. Essa doença representa mais do que uma tragédia humana, também existe o desastre ecológico, que contribuiu para a morte de milhares de gorilas e chipanzés, nossos parentes genéticos mais próximos, por cepas do mesmo vírus. Cientistas calculam a morte de cerca de 5000 gorilas no Congo e no Gabão entre 2002 e 2004, e de 88% da população de chipanzés no Santuário Lossi.   Ou seja, o modelo imposto pelos colonizadores limita as possibilidades de desenvolvimento do continente, contribui para a destruição de riquezas naturais, e para a degradação do ambiente e da biodiversidade local.
Se liga:O surto recente do ebola é um típico exemplo da ausência de saneamento ambiental e de políticas sanitárias no continente africano, que oprimido pelo passado colonialista, pela dívida externa, e pela pressão dos organismos financeiros internacionais (FMI e Banco Mundial), da União Europeia e dos EUA, não consegue investir neste campo.
Faltam médicos, medicamentos, e mecanismos de controle sanitário, como o acompanhamento da propagação do ebola-vírus nos morcegos, que são o reservatório natural mais provável da doença, em roedores e outras espécies.
O Ocidente também tem fechado os olhos, como sempre, para as guerras civis e os conflitos militares, como o massacre de cerca de 2.000 pessoas na Nigéria, a maioria mulheres e crianças, pelo grupo extremista Boko Haram, na mesma época do atentado à revista francesa Charlie Hebdo.
Assim as grandes agências de notícias tentam isolar as vítimas do ebola nos limites da quarentena formada na Libéria, Serra Leoa, Guiné e Senegal, também não se observou nenhuma indignação em relação ao massacre da Nigéria. Nem passeatas, nem debates, muito menos o bombardeio de notícias pela mídia. Não verificamos a solidariedade dos líderes internacionais em razão deste atentado terrorista, ou de qualquer outro massacre.
Seu povo sua Riqueza majestosa
A África é o segundo continente mais populoso do mundo (fica atrás somente da Ásia). Possui, aproximadamente, 820 milhões de habitantes .
É um continente basicamente agrário, pois cerca de 63% da população habitam o meio rural, enquanto somente 37 % moram em cidades.

- No geral, é um continente pobre e subdesenvolvido, apresentando baixos índices de desenvolvimento econômico. A renda per capita, por exemplo, é de, aproximadamente, US$ 850,00. O PIB (Produto Interno Bruto) corresponde a apenas 1% do PIB mundial. Grande parte dos países possui parques industriais pouco desenvolvidos, enquanto outros nem se quer são industrializados, vivendo basicamente da agricultura.
- O principal bloco econômico africano é o SADC (Southern Africa Development Community), formado por 15 países: África do Sul, Angola, Botswana, República Democrática do Congo, Lesoto, Madagascar, Malaui, Maurícia, Moçambique, Namíbia, Suazilândia, Seychelles, Tanzânia, Zâmbia e Zimbábue.
- Além da agricultura, destaca-se a exploração de recursos minerais como, por exemplo, ouro e diamante. Esta exploração gera pouca renda para os países, pois é feita por empresas multinacionais estrangeiras, principalmente da Europa.
- Os países africanos que possuem um nível de desenvolvimento um pouco melhor do que a média do continente são: África do Sul, Egito, Marrocos, Argélia, Tunísia e Líbia.
- Os principais problemas africanos são: fome, epidemias (a AIDS é a principal) e os conflitos étnicos armados (alguns países vivem em processo de guerra civil).
- Os índices sociais africanos também não são bons. O analfabetismo, por exemplo, é de aproximadamente 40%. 
- As religiões mais presentes no continente são: muçulmana (cerca de 40%) e católica romana (15%). Existem também seguidores de diversos cultos africanos.
- As línguas mais faladas no continente são: inglês, francês, árabe, português e as línguas africanas.

 - A África possui uma fauna rica e diversificada. Os principais animais que vivem neste continente são: elefante africano, leão, zebra, rinoceronte, hipopótamo, leopardo, hiena, gorila, chacal, chipanzé, girafa e avestruz.
A África é um  continente com, aproximadamente, 30,27 milhões de quilômetros quadrados de terras. Estas se localizam parte no hemisfério norte e parte no sul. Ao norte é banhado pelo mar Mediterrâneo; ao leste pelas águas do Oceano Índico e a oeste pelo Oceano Atlântico. O Sul do continente africano é banhado pelo encontro das águas destes dois oceanos.

A África também e aqui...
A maioria dos países que compõem o continente africano apresenta muitas similaridades com o Brasil. Primeiramente, os aspectos naturais de ambos têm em comum a presença de extensas áreas florestadas, como a Amazônia brasileira e a Floresta Equatorial do Congo. Em seus territórios estão localizados os dois maiores rios em volume de água do mundo, o rio Amazonas e o rio Congo, respectivamente. Outro ponto em comum são as enormes faixas de clima tropical recobertas por vegetação esparsas, conhecida como Savanas, na África, e Cerrado, no Brasil. Na literatura de língua inglesa, o Cerrado é conhecido como Brazilian Savanna, ou seja, a Savana Brasileira.
O tráfico negreiro e a escravidão determinaram o presente do nosso país. A população vinda do continente africano criou aqui raízes, família, cultura, história. Hoje, 53% dos brasileiros se declaram pretos ou pardos, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2013. Esse grupo é grandemente desfavorecido. Dados tabulados pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) comprovam: eles são a maioria dos analfabetos, com a maior taxa de distorção idade-série, e o trabalho infantil é mais comum entre eles do que entre brancos

Finalizando

Dia da África ou a Semana da África, celebrado no dia 25 de maio ou de 26 a 28 de maio, é um evento anual promovido pelas Delegações Africanas Permanentes perante a UNESCO, que visa a aumentar a visibilidade da África, destacando a diversidade de seu patrimônio cultural e artístico.

No Brasil, o Programa Brasil-África: Histórias Cruzadas celebra esse dia para promover o reconhecimento da importância da interseção da história e da cultura africana com a história e a cultura brasileira, buscando transformar as relações entre os diversos grupos étnico-raciais que formam o país.
Esta celebração é uma oportunidade para se organizar festividades culturais como, exposições artísticas, filmes, apresentações, exposições gastronômicas e noites de gala. É também uma ocasião para se organizar conferências e debates sobre várias questões importantes a respeito do continente africano e das influências desse continente na história e na cultura brasileira.

Um afro abraço.

Claudia Vitalino.